quinta-feira, 2 de setembro de 2010


                                                                        PANEGIRICO

 Muitos desconhecem o termo panegírico, e outros chegam a questionar a respeito do significado e desuso  desta palavra inserida no nosso vernáculo  desde muito séculos .
Lembro-me que  ouvi   dos lábios de meu sábio pai, Gervásio , a palavra supra citada, referindo-se ao grande Arimatéia Tito Filho, um dos meus ídolos da literatura piauiense, já naqueles idos dos anos 90. E  como ouvia nos corredores ventilar sobre o óbito do inigualável mestre, pressupus que se tratava, aquele termo totalmente desconhecido por  mim, do conceito de  morte.
Corri  ao “Aurélinho” ( mine dicionário do Aurélio Buarque) para saber do significado da palavra e terminei por ir mais além nas pesquisas, aguçando desde então, meu instinto investigador. Até que me deparei com PANEGÝRICO – palavra grega que traduzia um discurso ante a panegyris, reunião do povo em assembléia.  Depois tornou-se um mero ato de louvor, feito em prosa, em prol de um santo ou de um herói.
Já nas ilustrações filosóficas dos povos mais antigos, esta composição tornou-se também em forma de  verso  e reverenciou os louvores, as ações, tornando-se mais abrangentes e exaltando, não só os feitos, mas também as virtudes de pessoas, ações de um restrito grupo, de um certo povo, ou ainda enalteceu os vultos considerados sagrados em  determinado local e ou a grandeza dos  ideais proposto pela  massa.
Panegírico é uma oratória tipo elegia, ode, epopéia,  nunca uma oração meramente funesta.
Na antiga Grécia, os panegíricos aconteciam nas Olimpíadas, onde atraia multidões da Hélade  e  aos vencedores  em meio a euforia dos panegíricos  celebravam os vitoriosos  dos jogos e discutiam os temas  de interesse coletivos.
Em Roma, o panegírico era um louvor ao cidadão que,  por alguma razão se destacava na Sociedade.  Era uma exaltação, um elogio a um homem de reconhecido mérito e podia ser feito esta homenagem tanto em vida como depois da morte terrena.
Atualmente é nas Academias de Letras que costuma-se  fazer tal solenidade de homenagem póstuma.  È  ali , naquelas plêiades, onde adqueriu-se  as opas, que  os imortais que deixam  seu legado neste plano e partem para outro Oriente e seguem para outra missão espiritual, em dimensão pressupostamente maior,  que se reverencia estes valores imortais.
O   corpo humano,  revestido temporariamente, por um  envoltório material perecível, com a destruição  pela falência múltipla dos órgãos vitais, torna-os  livres para eternidade.  E  é através do PANEGIRICO que se faz a  despedida simbólica de alguém que continuará entre nós para sempre.
Hoje, minha homenagem póstuma é a um grande líder político,um jornalista, radialista e senhor da oratória que dorme sob lápide fria o sono dos imortais. Vai, Carlos Augusto Araújo Lima, o céu é o seu limite!..e este meu tributo.
                                                                                                   Lisete Napoleão Medeiros-  Escritora,
                                                                                                  Pesquisadora e Professora Universitária.                            

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