PANEGIRICO
Muitos desconhecem o termo panegírico, e outros chegam a questionar a respeito do significado e desuso desta palavra inserida no nosso vernáculo desde muito séculos .
Lembro-me que ouvi dos lábios de meu sábio pai, Gervásio , a palavra supra citada, referindo-se ao grande Arimatéia Tito Filho, um dos meus ídolos da literatura piauiense, já naqueles idos dos anos 90. E como ouvia nos corredores ventilar sobre o óbito do inigualável mestre, pressupus que se tratava, aquele termo totalmente desconhecido por mim, do conceito de morte.
Corri ao “Aurélinho” ( mine dicionário do Aurélio Buarque) para saber do significado da palavra e terminei por ir mais além nas pesquisas, aguçando desde então, meu instinto investigador. Até que me deparei com PANEGÝRICO – palavra grega que traduzia um discurso ante a panegyris, reunião do povo em assembléia. Depois tornou-se um mero ato de louvor, feito em prosa, em prol de um santo ou de um herói.
Já nas ilustrações filosóficas dos povos mais antigos, esta composição tornou-se também em forma de verso e reverenciou os louvores, as ações, tornando-se mais abrangentes e exaltando, não só os feitos, mas também as virtudes de pessoas, ações de um restrito grupo, de um certo povo, ou ainda enalteceu os vultos considerados sagrados em determinado local e ou a grandeza dos ideais proposto pela massa.
Panegírico é uma oratória tipo elegia, ode, epopéia, nunca uma oração meramente funesta.
Na antiga Grécia, os panegíricos aconteciam nas Olimpíadas, onde atraia multidões da Hélade e aos vencedores em meio a euforia dos panegíricos celebravam os vitoriosos dos jogos e discutiam os temas de interesse coletivos.
Em Roma, o panegírico era um louvor ao cidadão que, por alguma razão se destacava na Sociedade. Era uma exaltação, um elogio a um homem de reconhecido mérito e podia ser feito esta homenagem tanto em vida como depois da morte terrena.
Atualmente é nas Academias de Letras que costuma-se fazer tal solenidade de homenagem póstuma. È ali , naquelas plêiades, onde adqueriu-se as opas, que os imortais que deixam seu legado neste plano e partem para outro Oriente e seguem para outra missão espiritual, em dimensão pressupostamente maior, que se reverencia estes valores imortais.
O corpo humano, revestido temporariamente, por um envoltório material perecível, com a destruição pela falência múltipla dos órgãos vitais, torna-os livres para eternidade. E é através do PANEGIRICO que se faz a despedida simbólica de alguém que continuará entre nós para sempre.
Hoje, minha homenagem póstuma é a um grande líder político,um jornalista, radialista e senhor da oratória que dorme sob lápide fria o sono dos imortais. Vai, Carlos Augusto Araújo Lima, o céu é o seu limite!..e este meu tributo.
Lisete Napoleão Medeiros- Escritora,
Pesquisadora e Professora Universitária.
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